terça-feira, 7 de setembro de 2010

Aquecimento global ou variabilidade?


Jorge Luiz Fernandes Oliveira *, Jornal do Brasil RIO –
Ao longo da história geológica da Terra verifica-se uma rica variação natural do clima. Durante bilhões de anos, o planeta passou por diversos períodos de aquecimento e resfriamento, com quatro grandes glaciações e outros menores. O último período frio, chamado de ?pequena era do gelo?, começou no século 15 e prolongou-se até a metade do século 19, quando o clima no Hemisfério Norte ficou muito rigoroso, congelando até o Rio Tamisa, no sul da Inglaterra. A Terra é um ecossistema vivo e em plena mutação. Compreender esse ecossistema significa entender a relação entre atmosfera, hidrosfera, litosfera, criosfera e biosfera. Essa tarefa não é fácil, porque os oceanos, que são verdadeiras máquinas térmicas, sequestram e armazenam carbono, além de influenciarem fortemente no clima do planeta. O aumento da temperatura do ar global pode alterar a capacidade dos oceanos de absorver carbono, resultando em uma transferência extra de CO2 para a atmosfera. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em seu 4º relatório técnico, responsabilizou a sociedade pela elevação da temperatura do ar no século passado. O IPCC se baseou em três pontos básicos para afirmar que o clima está mudando: na série de temperatura do ar dos últimos 150 anos; no aumento da concentração de CO2 na atmosfera, a partir da revolução industrial, e nos resultados obtidos com modelos numéricos, a partir de cenários de aumento da concentração de CO2 na atmosfera. Entretanto, uma corrente de cientistas independentes, os céticos, como são chamados, questiona a contribuição do CO2 para o aquecimento global. Segundo eles, o aumento da temperatura do ar de 0,6ºC no último século é consequência do comportamento variável do clima, e não propriamente uma mudança climática. Para os céticos, os três pontos defendidos pelo IPCC são frágeis frente à variabilidade climática, que consiste de alterações em torno da média de uma determinada variável do clima. Representa, assim, o comportamento natural do clima do planeta. Na verdade, não há uma distinção absoluta entre mudança climática e variabilidade climática. O que pode parecer uma mudança climática na escala de décadas ou séculos poderia ser considerada apenas uma variabilidade climática na escala de dezenas de milhares de anos. Assim, o tamanho da série histórica de temperatura do ar é de suma importância para confirmar ou negar o aquecimento global. O último milênio é a fase da variabilidade climática melhor documentada. Todavia, as causas dessas flutuações, sua amplitude e o papel relativo da variabilidade natural dos sistemas e as mudanças nos controladores do clima (solar, orbital e vulcânica) ainda não estão totalmente esclarecidos. O IPCC considera o aquecimento global como fato consumado. Entretanto, considerando o comportamento variável do clima, não podemos ainda considerar o aquecimento global como fato consumado, pois existem incertezas devido às falhas na interpretação da ?ciência do clima?. Uma das principais incertezas científicas atuais é como o clima seria afetado pelas ?retroalimentações (feedbacks) climáticas?. Durante um processo de retroalimentação, mudanças em uma variável, tal como a concentração de CO2, causariam alterações na temperatura, que por sua vez, provocariam variações em uma terceira variável, como o vapor d'água, o qual causaria novamente alterações na temperatura. Essas retroalimentações poderiam amplificar ou amortecer a resposta do clima, provocando alterações imprevisíveis. Por esse motivo, o aquecimento global não pode ser considerado um fato científico consumado. Para a mídia, as mudanças climáticas são evidentes, não havendo, portanto, o que questionar. Qualquer chuva ou vento forte é consequência do aquecimento global, caindo desse modo no lugar comum. Por outro lado, mais e mais corporações têm demonstrado que, longe de ser uma ameaça para a economia <#>, o aquecimento global proporcionará uma nova geração de oportunidades. Os governantes, por sua vez, tomam suas posições nas negociações internacionais sobre mudanças climáticas a partir da avaliação de sua vulnerabilidade potencial àquelas mudanças e dos custos que incorreriam se viessem a reduzir suas emissões. A teoria do auto-interesse preconiza a ideia de que cada país forma suas posições visando unicamente seus interesses nacionais, em oposição a qualquer atitude altruísta que busque o bem- estar das nações.
* Jorge Luiz Fernandes Oliveira é professor da Universidade Federal Fluminense (UFF)
21:58 - 12/03/2010

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